quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Deixa me perder em alguma tinta que circula nas suas mãos?
De cima dos castelos do centro, com a tevê ligada
Alguém falando alguma coisa sobre política
O filete da sua voz me enrolando
E eu. Olhando para as tintas nas suas mãos.

Odeio-te, amo-te.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Reflexos

É madrugada, tenho ao meu lado um livro de poesias
Vinicius de Moraes e um grande amor
Mas não quero saber de amor, não esta noite
Não consigo dormir
E meus olhos não se encontram
Vou ao banheiro, lembro de alguma poesia semelhante
E copio
Copio na mente insana que fervilha entre  mil palavras
Qual delas escolher?
De repente lembro que estou em frente ao espelho, parada
Bagunçando os fios de cabelo atrás de algo entre eles
Os olhos estão caídos, olheiras fundas, olhos profundos
A vida passa, a pele muda, os olhos mudam
Lembrei da minha juventude, da liberdade e do presente
E agora, estou aqui, buscando entre os fios que embaralham meus olhos,
O meu presente
Já encontrei, disto é certo
Beijo o reflexo, narcisista sim
Com os fios de cabelos bagunçados, os olhos fundos, as olheiras e os labios desbotados,
Arranca desta face um sorriso pequeno, tímido

Quantos, além de mim, pensa no futuro de uma nação?

sábado, 16 de janeiro de 2010

Um brilho ofusco se engrandece no meio de tantos.
Odiava aquele verde que persistia em cruzar meu caminho, seja em dias ensolarados ou noites clássicas.
Não, não deveria abrir meus olhos, nem sentir aquele princípio de bondade que invadia meus sentimentos e confundia com o ódio forçado, do ciúme exagerado. O tempo, este velho ancião, ria de mim, saudoso, com as bochechas rosadas e o riso alto, leve. Quem se importa com dias quando se prevê o futuro?
Hoje cá estou, entre tristeza e o âmago pequeno. Não falarei de coisas grandes, porque o significado disto é imensurável que nem pequenas palavras ousam despertar.
Os pequenos e venosos animais compactuam e se misturam com o verde.
-Olhe!
E meus olhos se confundem, entrelaçam. Não devo me controlar, não.
Almas complementares, que as bocas falem o que quiser! Os ruídos que se confundem com sinfonia.
Flores grandes, árvores majestosas e eu em companhia de um elemental.

Ela vai indo e atrás de si, a luz majestosa. Sobrará em seu lugar o  glitter e o verde.
Silêncio.