quarta-feira, 16 de março de 2011

Gota d'água

Sabe aqueles dias em que você acorda com a pupila dilatada, o coração na mão e uma música na palma da mão? Hoje foi mais ou menos assim. O prazer de olhar o íntimo das pessoas que eu nem conheco e me sentir invisível. Como quem tem o dom de descobrir a vida de alguém com um olhar.
Esse balde misturado de sentimentos, formou uma bola dentro de mim e eu não consegui fazer nada, além de sentir junto com Drummond as dores deste mundo.
Ou eu amo demais ou vomito demais.
E eu gosto de ser essa gota d'água em dias de sol.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sorrir

Na bagunça do ônibus, vim pensando quando foi a última vez que dei um sorriso de verdade, daqueles que a alma sorri junto.  É, fazia algum tempo. Mas então, como era gargalhar às pressas?
Lembrei da infância com minhas primas. A despreocupação com o cabelo, a roupa, a cárie do dente. Falavamos besteiras não pra machucar, mas para se divertir. Rir de um corte de cabelo, rir de um gesto, rir da roupa da vizinha, das aulas cômicas do professor de matemática... rir. Rir sem se preocupar se alguém vai achar ruim em ouvir as gargalhadas no meio da rua. Rir na hora do rush, num ônibus lotado. Rir de olhar pro rosto dela e ver que ela está comigo, me fazendo rir.
A gargalhada que alimentava a alma.
O ônibus parou e vi uma garotinha rindo. Uma gargalhada tão gostosa que não queria nem saber o porquê, só queria sentir. Sorri junto e lembrei que não fazia tanto tempo assim que meu coração transbordou de tamanha alegria. Como naquele momento.
Gargalho quando sinto amor perto de mim.
Dar um sorriso verdadeiro, daqueles que a gente sorri sem perceber, como a gente faz nas cenas românticas dos filmes. Eu sorrio todas as vezes que criaturas iluminadas chegam perto de mim.
Meu coração dói de tanta alegria. Dá um frio no estômago, não importa se estou bem vestida, se o cabelo está em ordem, eu sorrio.
Sorrio pra afastar a tristeza, sorrio pra dizer que amo.
Sorrio porque estão perto de mim.
Descobri o verdadeiro sentido de sorrir aos 20 anos. Num ônibus.
Minha  alma gargalhou até eu sentir as borbulhas do meu coração transbordar.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Final do dia

Morreu, na manhã de um dia importante. Ela sabia que aquele dia muita coisa ia ser decidida.
Preferiu morrer.
Morreu por fraqueza, pela face cansada de sorrir
Pelas cordas vocais arrebentadas
A mente continuava, essa velha amordaçadora

Chorou no final do dia, sozinha, como queria.
Amanha há de ser um novo dia
Sempre é um novo dia.