Na tarde nublada, tantas pessoas e uma pedrinha entre elas.
Entrei no ônibus e ele veio atrás de mim, não deixando ninguém passar. Vestia uma calça laranja e uma blusa branca. Sujeito simples, não consegui distinguir aquele olhar, mas pelos cílios, imaginei-o doce. Entrei e ele sentou ao meu lado. Pus minha bolsa para perto. Ouvia música. Viajei em pensamentos, decisões que precisam ser tomadas e no meio da minha confusão, ele me despertou. Ia tirar algo do bolso e eu fiquei imaginando o que seria; ''um celular, algum canivete, algum papel rasbicado de tinta barata?''
E era um biscoito.
Um biscoito... a voz, como que adivinhando, tornou-se doce em meus ouvidos e sem perceber, olhei para o lado e soltei um sorriso discreto.
O menino virou-se. Tinha o olhar duro, sem expressão clara. Voltou a olhar a paisagem cinza desta cidade.
O ponto se aproximava.
Deixei o menino para trás. A pele negra, calma, que retirara toda a inocência e simplicidade do bolso laranja.
Aquele biscoito.
domingo, 14 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Dia dois
Que eu mantenha a doçura dos teus sonhos de outrora
Por que meu coração ainda chora e ri por ti
Este pequeno, inexperiente e sem graça
Que teima em pronunciar teu nome na chuva...
Por que meu coração ainda chora e ri por ti
Este pequeno, inexperiente e sem graça
Que teima em pronunciar teu nome na chuva...
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Noite de Outubro
Eu tava lá, sozinha na parte mais escura da praça esperando por um olhar. Luzes que iluminam a parte mais escura da cidade e tenta, a todo custo, a embelezar. E convenhamos, consegue. As crianças e suas bicicletas, brinquedos luminosos que saltavam e balões coloridos, lembraram a minha infância... O dia em que eu descobri que depois da meia noite não era mais hoje e sim ontem, o amanhã que chegara antes do tempo. No meu mundo. A brisa gelada que dava boa noite, olhares perdidos, boemios...
-Bem que Chico Buarque poderia cantar pra mim agora. Pensei
E cantou... Graduando de voz, como quem quer chamar a atenção. Sem pensar muito, corri para o banco mais próximo, abri uma bebida, fechei os olhos e senti cada timbre entrando em mim.
O velho me olhava. Olhou para os meus cabelos. Ele estava sozinho, de pernas cruzadas.
O ambulante, cansado, parou e sentou-se. As bungigangas refletiam no rosto cansado.
Chico cantou para nós.
Olhei para mim, o velho e o ambulante. Classes diferentes unidas numa noite de lua cheia.
Só a poesia salva. Essa frase marcou a minha noite.
O olhar luminoso chegou.
-Bem que Chico Buarque poderia cantar pra mim agora. Pensei
E cantou... Graduando de voz, como quem quer chamar a atenção. Sem pensar muito, corri para o banco mais próximo, abri uma bebida, fechei os olhos e senti cada timbre entrando em mim.
O velho me olhava. Olhou para os meus cabelos. Ele estava sozinho, de pernas cruzadas.
O ambulante, cansado, parou e sentou-se. As bungigangas refletiam no rosto cansado.
Chico cantou para nós.
Olhei para mim, o velho e o ambulante. Classes diferentes unidas numa noite de lua cheia.
Só a poesia salva. Essa frase marcou a minha noite.
O olhar luminoso chegou.
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