domingo, 7 de outubro de 2012

Até que um dia, alguém reparou nos longos e enrolados cabelos negros
Eles estavam imóveis
Volumosos
Não tinha nada que chamasse atenção
A não ser as curvas e mistérios em cada esquina
Que guardava

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Encontro

A lente do óculos fundo de garrafa
O café quente
Os dedos longos e finos
O mármore da bancada fria
E duas almas se olhando de canto
Nas esquinas da cafeteria

O cheiro forte dos grãos cafeinados em suas roupas

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Agulha

-Mamãe, olha o que eu fiz.

Viveu tudo o que tinha de viver. Pulou carnavais da Era do Ouro. Trocou beijos secretos na misteriosa escuridão das agitadas avenidas do Rio de Janeiro.
Viu a vida passar pelos seus olhos, sentiu os melhores toques que a mente pudesse imaginar.

Teceu o mehor tecido.
Costurou a melhor roupa.
Confeccionou os melhores sapatos.

Hoje, vive num mundo paralelo.
Num mundo onde os tecidos são da mais escassa qualidade
Mas os detalhes permanecem
A confusão dos laços e babados nas bonecas
Os nomes no diminutivo
A televisão que grita

Enquanto pacientes dedos acompanham a harmonia silenciosa das lembranças de outrora.