-Eu preciso de um cigarro. Acho que eu vou pedir férias.
-Mas já?
-Já, cara... a situação tá foda por lá. Melhor sair enquanto é tempo
-Passiva.
-Não, sou realista. Não dá, não dá, paciência.
Virgínia andou o centro todo. Num sol solitário da meia-noite. Caiu inúmeras vezes. -Ao menos ninguém viu.
Comentou sobre a mudança de sua letra e a melhora do ar nos últimos tempos.
Tentou sentir alguma coisa. Não conseguiu. Foi ao porto, lembrou que a água era suja. Mas de que importa? Ela ia fingir que também não iria sentir a sujeira.
Hoje, só por essa noite, só mais essa noite, queria morrer pra viver. Brotar numa tarde nublada de quinta-feira.
Olhando aquelas velhas folhas no telhado transparente da sua avó. Sentir o cheiro de café fresco disputado por ninguém. Iria morrer nas ruas fétidas do centro, entre os escombros de uma mansão.
Seria Rainha. Rainha do inverno. Inferno.
Viu um cachorro e como desejou se-lo... Ah esses compromissos sociais.
Sentiu as agulhas que caíam do céu. Hoje era o dia de se dissolver na água.
Amanhã, ia acordar anestesiada. Nada aconteceu. Nada ia mais acontecer.
Sentiu o sangue saindo dos seus olhos.
Fechou a janela.
Virgínia. Virgínia.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Suzana
Meia Noite. O salto quebrou. O dinheiro acabou. Marília tinha perdido o número do carinha que conhecera noite passada. Perdida no centro de Manaus, com o nariz dolorido e os pés sujos.
não tinha para onde ir, não queria ter para onde ir.
Dane-se o que iriam pensar dela. Uma advogada bem sucedida, dona de propriedades na capital e no interior, conhecida entre a sociedade.
Suzana não queria saber de nada nesta madrugada. Vagou entre as prostitutas, os mendigos, bêbados, conheceu a visão soturna de uma cidade quente e vazia. Cheirou o fétido Rio Negro na negritude do Porto.
Caiu na sarjeta da Avenida Eduardo Ribeiro.
Suzana. Bem sucedida. Conhecera-se nesta noite.
não tinha para onde ir, não queria ter para onde ir.
Dane-se o que iriam pensar dela. Uma advogada bem sucedida, dona de propriedades na capital e no interior, conhecida entre a sociedade.
Suzana não queria saber de nada nesta madrugada. Vagou entre as prostitutas, os mendigos, bêbados, conheceu a visão soturna de uma cidade quente e vazia. Cheirou o fétido Rio Negro na negritude do Porto.
Caiu na sarjeta da Avenida Eduardo Ribeiro.
Suzana. Bem sucedida. Conhecera-se nesta noite.
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